Reino da Magia (Parte 1)

“Eu posso voar! Não posso maaais!!!” – Aventureiro tendo a sua diversão interrompida em uma área de magia caótica.

Um reino como outro qualquer

Planícies, colinas, clima subtropical. Tudo muito comum, tudo muito normal. A paisagem de Wynlla pode ser muito sem graça e similar ao restante do Reinado, até que comece uma nevasca, ou uma tempestade de areia, ou uma chuva de sapos, ou uma chuva de sapos da areia feitos de neve.

Desde que os primeiros colonos chegaram ao continente, tenta-se entender as áreas de magia caótica que ocorrem no reino. Nestes locais que surgem de forma aparentemente aleatória, as energias arcanas ficam completamente descontroladas. Algumas vezes, afetam o clima ou criam outros efeitos visuais que facilitam a sua localização. Na maioria das vezes, você somente vai perceber que está no centro de uma área destas quando for tarde demais.

Em outras áreas, chamadas de escoadouros, simplesmente não existe o fluxo de energias arcanas. É impossível conjurar ou manter qualquer magia nestes locais.

Uma força tarefa comandada pelos clérigos de Tanna-Toh, sediados na Biblioteca Livre de Zorus, em conjunto com os devotos arcanos de Wynna, que têm a Grã-Torre como base, estuda incessantemente este fenômeno. Muitas teorias existem, nenhuma pôde ser confirmada até o momento.

Alguns especialistas acreditam que o local onde hoje existe o reino de Wynlla foi o palco de uma guerra entre deuses ou outras entidades cósmicas. O grande combate deixou todas as energias místicas em desequilíbrio. Outros teorizam que Wynna e Nimb andaram se divertindo pela região e que a própria terra absorveu a natureza caótica dos deuses. Por fim, muitos acreditam que a deusa simplesmente bagunçou as regras da magia porque achou divertido.

Independente das causas, os fenômenos observados parecem ter alguma relação com outros planos de existência conhecidos. Aparentemente, a fronteira entre o plano material e os demais fica mais fina em uma área de magia caótica. Neste caso, os fenômenos observados podem ser “vazamentos” de outras realidades sobre Arton.

Sociedade arcana

Wynlla é regida por um conselho de conjuradores arcanos. As famílias que podem ter participação no governo são selecionadas com base nas suas contribuições para a sociedade e para os avanços das artes místicas. Esta definição segue critérios bem definidos, mas sabe-se que um grande jogo de poder e influência ocorre nos seus bastidores.

Para manter o poder e o status, o representante mais poderoso de cada família costuma conduzir pesquisas e experimentos mágicos em seus laboratórios. Estes estudos, em geral, são executados pelos aprendizes do conjurador. A seleção de alunos é mais uma parte do jogo de influências, similar ao que ocorre em outros reinos na escolha de escudeiros para cavaleiros importantes.

Apesar de eventuais intrigas e desentendimentos, o conselho é bastante eficiente em sua administração. Wynlla é um reino próspero, completamente alfabetizado, com pouco trabalhadores braçais, papel geralmente executado por construtos e por mortos-vivos.

Toda esta prosperidade resulta em uma sociedade bastante refinada, educada e que valoriza muitos as próprias tradições. Por outro lado, seus habitantes podem demonstrar certa arrogância ao lidar com raças sem aptidão mágica ou com aqueles que escolhem seguir um modo de vida mais simples, os quais chegam a ser comparados com selvagens e bárbaros.

Escolas de Magia e Bruxaria de Wynlla

“Magia e conhecimento andam de mãos dadas”. Em função deste lema, as deusas Wynna e Tanna-Toh exercem grande influência sobre o reino. Em todas as cidades existem templos e bibliotecas dispostos a ensinar temas relacionados à magia para qualquer interessado.

No entanto, ao contrário do que seria esperado, existem poucas escolas de magia no reino. Seus habitantes acreditam que a prática é a melhor forma de ensino. A única grande iniciativa na criação de um internato para o ensino das artes arcanas resultou em uma grande tragédia que ainda não foi esquecida.

Apesar deste triste acontecimento, existe uma grande pressão das igrejas das deusas da magia e do conhecimento sobre o conselho para abrir novas escolas e difundir o ensino para todos os interessados. Até o momento, a única ação aprovada foi a criação de algumas bolsas de estudo para financiar alunos na Grande Academia Arcana de Talude.

Em Wynlla, a forma mais comum de se conseguir instrução nas práticas arcanas é se tornar aprendiz de um mago mais experiente. Alguns conjuradores buscam apenas aptidão mágica nos seus pupilos, outros vêem esta seleção como mais uma oportunidade para conseguir influência e favores com as famílias mais importantes da região.

Uma exceção digna de nota é o Instituto de Ensino Arcano Especializado para Semi-Humanos. Esta escola aceita todos aqueles tratados como cidadãos inferiores por pertencerem a raças sem tradição mágica. Por este motivo, costuma ser chamada, com um certo tom de ironia, de Escola dos Anões Magos.

Nem tudo é mágico no Reino da Magia

Um reino fundado como consequência da pesquisa de fenômenos arcanos. Um reino em que até mesmo as menores cidades são governadas por conjuradores. Um reino em que as pessoas comuns encontram formas de se inserir na economia do reino: artesãos, fabricantes de pergaminhos, livreiros, joalheiros, mecânicos especializados em peças para construtos, entre tantos outros.

O lado negativo de toda esta valorização do arcano é que quem não se insere diretamente na economia de itens associados às práticas arcanas pode ser tratado como cidadão de segunda classe. Não existe um preconceito explícito contra os não conjuradores, mas muitas atitudes, piadas e comentários velados podem levar a um grande ressentimento.

Tem-se notícia de grupos protestando contra o governo elitizado que cuida exclusivamente dos interesses dos praticantes de magia. Eles exigem a seleção de não conjuradores para o conselho, mas estas minorias não costumam ter as suas demandas ouvidas.

Alguns grupos ainda mais radicais falam dos riscos envolvidos no uso irresponsável da magia, da priorização de mortos-vivos e de construtos como mão de obra barata, das discussões morais envolvidas na prolongação indeterminada da vida por meios mágicos. Eles defendem que o ensino arcano deve seguir um processo extremamente rigoroso de seleção. Os devotos de Wynna e de TannaToh são rápidos em negar qualquer tipo de restrição ao acesso das maiores bençãos que um mortal pode receber.

Boa vizinhança

Wynlla é um reino que sempre buscou seguir as políticas da boa vizinhança. Por motivos históricos, mantiveram uma boa relação com Deheon que perdura até os dias de hoje.

Há poucos anos, o reino recebeu um fluxo sem precedentes de ouro vindo de Bielefeld em função de sua luta contra a Tormenta. Em tempos mais recentes, recebeu somas ainda maiores de todo o reinado para o financiamento da luta contra Arsenal. Mesmo com boa parte destes recursos sendo direcionada para a reconstrução de Coridrian, o Reino da Magia se tornou um dos mais prósperos do Reinado.

Relações com Yuden sempre foram evitadas em função das tensões entre este reino e Deheon. Com as mudanças recentes na estrutura política do Reinado, a Rainha Imperatriz busca estruturar uma forte parceria com o Reino da Magia. Seu objetivo é estimular a formação em larga escala de magos da Tormenta e melhor preparar o exercito de Wynlla para uma possível ofensiva contra a tempestade rubra.

Portsmouth, reino não tão distante, é o maior adversário político de Wynlla. O regente Ferren Asloth mantém uma postura de completa intolerância contra conjuradores arcanos em seus domínios. As chances de um ataque aberto entre os dois reinos são mínimas, mas existem inúmeros boatos sobre espiões tentando se infiltrar em ambos os lados do conflito.

Por fim, outro opositor claro  às políticas de Wynlla é Vectorius. O arquimago defende fortemente que o conhecimento arcano deve se manter nas mãos dos pouco sábios o suficiente para manuseá-lo de forma segura. Mesmo com esta discordância, a rota de Vectora foi alterada recentemente para incluir o reino da magia em seu percurso, apesar dos riscos apresentados pelas áreas de magia caótica e pelos escoadouros.

Espere pela próxima coruja!

Esta foi a primeira parte do texto que escrevi sobre Wynlla. Em breve, publicarei a continuação discutindo diversas formas para você utilizar o Reino da Magia em sua campanha.

Caso tenham gostado deste post, peço que o compartilhem com os seus amigos e com o seu trouxa preferido!

IMPORTANTE!

As observações aqui contidas não substituem o texto oficial publicado. Somente busco compartilhar as minhas observações e impressões sobre o material original. Recomendo fortemente que busquem os livros oficiais do cenário na loja da Jambô Editora. As suas aventuras serão muito mais ricas com os mapas, detalhes históricos, personagens e locais de interesse oferecidos lá.

Todos os direitos sobre os termos referentes ao cenário de Tormenta, incluindo nomes e descrições de personagens, deuses, lugares e fenômenos estão reservados à Jambô Editora.

Imagem de Lucas Parolin

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