Deusa do Conhecimento (Parte 1)

“Cada criatura civilizada que é morta perde a oportunidade de produzir conhecimento.” – Devoto pacifista de Tanna-Toh

A deusa que ensina

Patrona da Biblioteca Rubra, Tanna-Toh é a deusa do conhecimento de Arton. Não criou nenhuma das raças dominantes, mas recebe em seus templos todos aqueles interessados em aprender. Sua maior benção para o mundo foi a palavra escrita. Ela acredita que o conhecimento é o tesouro mais precioso que existe. Este deve ser protegido e compartilhado com todas as criaturas inteligentes.

Os que querem aprender

A maior parte da sua igreja é composta por devotos sem qualquer poder divino. Estes são fortemente encorajados a seguir as mesmas obrigações e restrições estabelecidas pela deusa, mas não sofrerão qualquer punição divina se as quebrarem. No entanto, por ser uma ordem bastante rígida, é provável que severas punições administrativas sejam aplicadas.

Os devotos sem poderes costumam atuar como professores em escolas locais ou atuar na administração de bibliotecas, museus e templos. Os servos mais graduados ou com maior potencial intelectual podem se dedicar à pesquisa, gerando conhecimentos novos nas mais diversas áreas da ciência. Muitos templos e escolas da ordem dispõem de laboratórios equipados para possibilitar o avanço das ciências naturais e exatas. De qualquer forma, todos estes devotos, sempre responderão para um clérigo de posto mais elevado na estrutura da igreja.

Tanna-toh também exerce algum domínio sobre as artes, mas divide esta influência com Marah e Glórienn. Os devotos do conhecimento sempre buscam  catalogar objetos de arte e suas técnicas artísticas, mas o objetivismo deles não dá muito espaço para a criatividade. Costumam se dedicar ao desenho técnico aplicado a outras áreas, como desenho anatômico, botânico e arquitetônico ou para o registro visual de momentos históricos. A arte livre e inspirada é influência de Marah. Glórienn ensina a combinação entre técnica impecável e sentimento artístico para a criação de obras de beleza inigualável.

Os que buscam o conhecimento

Entre os clérigos, é comum que os de idade mais avançada ou de posto mais elevado sejam responsáveis pela administração dos prédios da ordem. Nenhuma destas estruturas cobra pelo acesso ao conhecimento . No entanto, costumam pedir doações a todos os visitantes para que possam arcar com custos de operação. Em reinos de tradição aristocrática, também é comum que famílias ricas se tornem patronas de alguma instituição. Além do status, também recebem o direito de enviar os seus filhos para estudar com os melhores professores do Reinado.

Alguns clérigos que não querem se arriscar em territórios selvagens atuam como investigadores privados ou a serviço dos tribunais de Khalmyr. Eles são conhecidos por sua dedicação total na busca pela verdade e na solução de crimes misteriosos. Existem boatos sobre detetives dispostos a aplicar qualquer meio necessário na obtenção da verdade, até mesmo controle mental e tortura, mas as pessoas que contratam estes serviços específicos preferem ignorar métodos desde que tenham suas solicitações atendidas. Obviamente, a ordem da Justiça não tolera este tipo de comportamento.

Exceções à parte, a grande maioria dos clérigos de Tanna-Toh costuma se dedicar ao trabalho de campo, buscando o conhecimento onde quer que esteja. Eles costumam oferecer seus poderes divinos para grupos de aventureiros em troca de proteção em regiões selvagens ou hostis. Seus objetivos variam muito, desde a busca por artefatos, item raros, estudo de criaturas exóticas em seu habitat natural, busca de amostras e materiais para experimentos científicos, entre tantas outras possibilidades.

Para que a igreja não dependa somente de doações, os exploradores são estimulados a coletar tesouros em suas aventuras. O ouro é enviado diretamente para os cofres da ordem. Joias e obras de arte são cuidadosamente avaliadas, estudadas e catalogadas. Dependendo de sua importância histórica, estas podem ser  vendidas posteriormente em leilões para a nobreza local.

Quando uma missão é muito importante para a igreja, é comum que mercenários sejam contratados para proteger seus enviados em locais de risco. Em casos extremos, é possível que paladinos da deusa liderem estes grupos para “pacificar” uma região e possibilitar o estudo e a coleta de informações.

Os que protegem o conhecimento

Os paladinos de Tanna-toh passam por uma formação básica muito similar à dos clérigos, no entanto, devem dedicar muito mais tempo ao aprendizado da arte da guerra. Eles passam anos focados no aprendizado prático das mais diversas técnicas de luta conhecidas, no manuseio de armas comuns e exóticas. Ao final, tornam-se lutadores bastante estratégicos, capazes encontrar e explorar pontos fracos em qualquer adversário.

Muitas vezes, paladinos em formação também passam algum tempo sob a tutela das igrejas de Khalmyr ou de Keen. Com isso, eles conseguem aprender muito com os maiores especialistas em assuntos militares do mundo civilizado. Em troca, os devotos do deus da ordem compartilham os seus princípios com lutadores valorosos e os devotos do deus da guerra garantem que mais conflito será disseminado em Arton. Toda esta dedicação é justificada para formar os verdadeiros guardiões do conhecimento.

A benção da civilização

Um dos fundamentos da crença de Tanna-Toh fala sobre a obrigação dos seus devotos de levar o conhecimento e a civilização para todos os povos bárbaros e selvagens. Boa parte dos recursos da igreja são investidos com esta finalidade.

A primeira parte da missão envolve o estudo da comunidade tribal selecionada. Um grupo pequeno, mas capaz de se defender, é enviado para viver com este povo. Eles estudam hábitos, costumes, crenças, ritos religiosos, idiomas, vestimentas e tudo o mais que possa ser estudado e catalogado. Ao final desta etapa, o grupo retorna para a sua matriz e registra toda e qualquer informação adquirida.

A segunda parte consiste em civilizar a tribo escolhida. Nesta etapa, um grupo maior é enviado para ensinar aos selvagens todos os hábitos culturais do mundo civilizado. Eles ensinam a linguagem escrita, registros e representações históricas, dogmas religiosos e tudo o mais que for necessário para que seus pupilos abandonem a barbárie.

O grande problema com este tipo de iniciativa é que, em geral, os povos tidos como bárbaros incultos não tem interesse algum em mudar de vida. Conflitos violentos costumam acontecer e podem acabar com grandes tragédias. Os dogmas de Tanna-Toh são muito claros, o conhecimento é o bem mais precioso e TODOS devem obtê-lo, mesmo que seja necessário convencê-los à força.

O conhecimento que destrói

Atualmente, os devotos mais graduados da deusa estão dedicados ao estudo do maior dos mistérios, a Tormenta. Eles costumam liderar grupos militares até às margens das áreas dominadas pela tempestade. Nestes pontos, estabelecem acampamentos para prestar auxílio a qualquer grupo disposto a explorar a corrupção rubra. Fornecem recursos para os que estão entrando e cura física e psicológica para os que retornam. O único pagamento que pedem em troca são relatos completos e detalhados. Amostras de matéria rubra ou até mesmo de criaturas lefeu também são muito bem recebidas.

A área de estudo da mente humana está evoluindo muito graças a esta iniciativa. A loucura que se abate sobre todos aqueles expostos por muito tempo à Tormenta está sendo incessantemente  estudada. Estas descobertas são fundamentais, uma vez que aqueles que sobrevivem a uma expedição em uma área corrompida, dificilmente são capazes de fornecer relatos precisos ou coerentes sobre o que viram. Todo o seu conhecimento acaba sendo perdido.

Tanna-toh tem uma relação muito dúbia com a tempestade rubra. Ao mesmo tempo em que a invasão está trazendo conhecimento novo que podem ser estudado e catalogado, também está destruindo tudo o que existia em seu lugar. Cada cidade atacada, cada pessoa morta simboliza a perda de muitas informações preciosas. O pior de tudo é que o conhecimento de clérigos e paladinos mortos ao explorar a tempestade não chega até o Helladarion para ser armazenado, é perdido para sempre.

Outra grande iniciativa liderada pela igreja de Tanna-Toh nos últimos anos busca resgatar todo o conhecimento perdido com cada ataque da Tormenta. Este esforço está atraindo muitos novos devotos entre os sobreviventes de Tamu-ra. Eles entrevistam exaustivamente cada sobrevivente, examinam e catalogam cada artefato, livro e obra de arte. Seu objetivo final é criar um museu no bairro de Nitamu-ra para armazenar todas as informações reunidas e manter viva a cultura deste povo. Esforços similares estão sendo realizados nas outras áreas de Tormenta conhecidas.

A ciência da vida

Uma interação relativamente inesperada acontece entre a ordem de Tanna-Toh e os doutores de Sallistick. Os nativos deste reino não acreditam na existência da deusa, mas as escolas de medicina do reino sem deuses aceitam o financiamento e os pesquisadores oferecidos pela igreja da deusa do conhecimento.

Os médicos se irritam com o hábito insistentes dos clérigos de impor as suas baboseiras religiosas, mas reconhecem que o seu conhecimento sobre tantas outras áreas é muito útil. Os devotos da deusa se incomodam com a resistência deste povo em relação ao conhecimento vastamente comprovado sobre a existência dos deuses, mas não recusam a oportunidade de aprender com eles. É uma relação bastante tensa mas proveitosa para ambas as partes. Além disso, quando assuntos religiosos voltam para a discussão, os doutores costumam deixar os clérigos falando sozinhos.

Apesar de pacífica, formação da Liga Independente está dificultando consideravelmente o envio de representantes ao reino de Sallistick para a troca de conhecimento. A maior parte dos templos e instituições de  ensino de Tanna-Toh está no atual território do Reinado. Como qualquer outra igreja, eles enfrentam grande oposição ao tentar estabelecer estruturas religiosas no reino sem deuses. Atualmente, está sendo estudada a possibilidade de estabelecer uma sede de maior influência da igreja em Callistia ou Nova Ghondriann.

O conhecimento proibido

O Império de Tauron se orgulha muito do estímulo que dá para as artes e para as ciências desenvolvidas pelos seus cidadãos. Por este motivo, os devotos de Tanna-Toh têm autorização para atuar como professores em todo o território. A única condição estabelecida é que todo o conteúdo ensinado nas escolas deve ser avaliado previamente por representantes minotauros. O objetivo é evitar que ideias de liberdade e de independência sejam divulgadas.

Como os clérigos da deusa são incapazes de omitir qualquer forma de conhecimento, mesmo que ponham suas vidas em risco, existem muitos boatos sobre o desaparecimentos de devotos que insistiram em falar sobre temas não apropriados. Nenhuma menção oficial sobre qualquer tipo de censura é feita pelos governantes minotauros. A igreja de Tanna-Toh está investigando estas alegações e lutando contra a proibição de seus representantes em prédios públicos do Império. Os minotauros também negam acesso a qualquer registro histórico de cunho militar aos seguidores da deusa.

Tem mais conhecimento vindo!

Esta foi somente a primeira parte do texto que escrevi sobre a ordem de Tanna-Toh. Na sequência, pretendo falar mais diretamente sobre maneiras de utilizar os devotos da deusa em campanha.

Caso tenham gostado deste post, peço que o compartilhem com os seus amigos e com a sua bibliotecária preferida!

IMPORTANTE!

As observações aqui contidas não substituem o texto oficial publicado. Somente busco compartilhar as minhas observações e impressões sobre o material original. Recomendo fortemente que busquem os livros oficiais do cenário na loja da Jambô Editora. As suas aventuras serão muito mais ricas com os mapas, detalhes históricos, personagens e locais de interesse oferecidos lá.

Todos os direitos sobre os termos referentes ao cenário de Tormenta, incluindo nomes e descrições de personagens, deuses, lugares e fenômenos estão reservados à Jambô Editora.

Imagem de Jowain92

2 comentários sobre “Deusa do Conhecimento (Parte 1)

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